Fissura alimentar: Seu corpo é mimado demais?

Existem diversos riscos de acatar todas as vontades alimentares que surgem no dia a dia. Mas como é possível sair desse padrão? Conheça mais sobre a fissura alimentar.

Imagina o que acontece se você tem um filho e tudo que ele deseja você prontamente atende. Por exemplo: Quer ficar a noite toda acordado? Ok. Quer comer nutella no café da manhã? Ok. Imagina o que vai acontecer com essa criança quando ela ter o seu primeiro desejo negado. Essa criança vai estranhar, vai fazer birra, vai chorar. E o corpo não é tão diferente disso.  

Toda vez que nós temos um desejo, claro que para algumas pessoas isso vai ser mais intenso do que para outras, o corpo libera sinais que chamamos de fissura alimentar. E quando a pessoa sente essa fissura por comer alimentos específicos, e existe a possibilidade dela realizar e comer aquilo, o corpo começa a barganhar. 

A pessoa começa a ter pensamentos ruminativos, pensamentos insistentes com relação a aquele alimento. Fica pensando: 

  • Ah, mas é só um pedacinho. 
  • Está tudo bem, depois eu compenso. 

E esse estado de fissura pode ser reconhecido como um estado de agitação. E cada pessoa vai sentir isso de um modo diferente. Alguns podem sentir a frequência cardíaca aumentar, pensamento insistente, alguns podem suar. 

Fissura alimentar o que é?

Perceba o quanto é importante reconhecer ter entrado nesse estado de fissura. 

E o principal neurotransmissor que governa esse momento é a dopamina. Que é o hormônio da motivação. Esse hormônio tem a característica de ter um pico e depois de dissipar, semelhante ao caso da fissura. 

Então, quais estratégias a pessoa precisa ter num primeiro momento para lidar ao sentir a fissura alimentar

1- Cuidar do ambiente: não ter perto de si ou em casa os alimentos que são mais desafiadores. Organizar as casa é uma das mudanças que mais surte efeito na mudança de hábitos alimentares. 

2- Comprar porções pequenas dos alimentos que está com vontade.  

3- Não se colocar em situações de risco. 

4- “Converse” com sua vontade. Exemplo: Entendi que quero isso, mas será que é o melhor momento? Como vai ser o meu dia? 

5- Usar a técnica do “não agora”. Experimente passar a sua vontade para depois. Não sinta que está se privando de comer algo. Tente entender se faz sentido agora diante dos seus objetivos e oportunidades de comer esse alimento novamente. O que de melhor posso fazer agora? Dar uma volta? Ligar para alguém? Assistir algo? Focar no trabalho…

6- A distração, principalmente atividades que exigem foco, ajudam a lidar com esses momentos de fissura. 

7- Entenda que esse impulso da fissura vem em ondas. É preciso aprender a surfar nesses momentos, já que tende a passar. 

8- Entenda que toda mudança gera desconforto. Mas desconforto não é sofrimento, desconforto não é punição. Aprenda a lidar com o desconforto de se dizer não. Já que vivemos num cenário de muitos privilégios, que é o fácil acesso a esses alimentos sem muito esforço, exige aprender a se dizer não e entender qual é o melhor momento de se fazer aquela escolha. Aprender a passar por esses momentos de desconforto não é sofrimento, mas LIBERDADE

Texto baseado na coluna para o Estadão de Desire Coelho. 

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